Trabalhe – Faça + / Sistemas Muito Antiprodutivos

Proyectos Curatoriales / Curatorial Projects
08/2016 / Galeria Pilar, São Paulo, Brasil.
Artistas: Adrian Melis (CUB), Alberto Casari (PE), Ana Esteve Reig (ESP), Bruno Moreschi (BR), Fábio Kacero (AR), Fermín Jiménez Landa (ESP), Jan Balteo-Yabur &
Alessandro Balteo-Yazbeck (US/VEN), Joana Bastos (PT), Juan e Odriozola (ARG), Julius Heinemann/Felix Leon Westner (GER), María Sanchez (ESP), Pedro França (BR) e Vivian Caccuri (BR).

Essa exposição convida a refletir sobre os conceitos de eficácia e eficiência como modos do pensamento capitalista / neoliberal aplicados à produção, que teria como finalidade uma maior e melhor produtividade.Através do dialogo criado entre os artistas e a curadoria, condensado na seleção de trabalhos e na sua apresentação, as obras reunidas propõem análises e processos focados nos conceitos do “nada” e da “ilógica”, como lugares onde evitar as estratégias da eficácia e da eficiência. Silviano Santiago no seu texto “O entre-lugar do discurso latino-americano”, do livro Uma literatura nos trópicos, descreve a possibilidade de se pensar uma arte – no contexto do autor latino-americana – como lugar de pensamento pós-colonial, sendo a metrópole a estrutura social ocidental neoliberal e o individuo o colonizado, podendo ser a atividade artística o modo de se desprogramar. Então a arte poderia não ser pensada em termos de produção, e sim como modos de atuar no mundo com a finalidade de gerar pensamentos para outros sistemas de vida.

Para esse fim, esse texto adota a forma de um dicionário, instrumento por excelência eficaz e eficiente na seleção e exposição de termos e saberes, esperando seja uma ajuda útil na desconstrução da própria essência. Os termos reunidos seguem, como corresponde, a ordem alfabética e não é portanto, guia consecutivo do percurso da mostra. As definições, são em grande parte citações.

Bom Voyage!

– Pense a viagem, associada às ferias poderiam significar o momento contrario ao do trabalho. “Na navegação no mar as estrelas são melhores. Elas não podem ser movimentadas”* –

ANARQUISMO / segundo o Errico Malatesta, um dos teóricos do anarquismo, “Nós desejamos a liberdade e o bem-estar de todos os homens, de todos sem exceção. Queremos que cada ser humano possa se desenvolver e viver do modo mais feliz possível. E acreditamos que esta liberdade e este bem-estar não poderão ser dados por um homem ou por um partido, mas todos deverão descobrir neles mesmos suas condições, e conquistá-las.

No Brasil, Giovanni Rossi junto com outros imigrantes italianos fundou a Colônia Cecília (1890-1894), no município de Palmeira, Paraná. O projeto experimental de convivência comunitária visava comprovar a praticabilidade do anarquismo orientado pelos princípios do socialismo libertário ou anarquismo social.

AUTOR / “A médio prazo todo “autor” de todo tipo (começando pelo escritor e terminando pelos fundadores do tipo FoundingFathers, Marx ou até Abraham ou Maomé) torna-se redundante. Toda informação se produz como síntese de informações precedentes, por diálogo que troca bits de informação para conseguir informação nova. O mito do autor pressupõe que “o fundador” (o gênio, o Grande Homen) produz informação nova a partir do nada (da “fonte”)”, Vilém Flusser, O universo das imagens técnicas: elogio da superficialidade, 1985.

CRISE / segundo o dicionário Merriam-Webster “um momento de risco ou estresse: crise; também: um estado de perturbação”. No atual contexto político brasileiro, a palavra é usada pelo governo interino no slogan oficial “Não pense em crise, trabalhe”, abrindo a arriscadas interpretações que neste período de incerteza, podem justificar ações que deixam do lado os direitos sociais sob o disfarce da produtividade.

DICIONÁRIO / na segunda acepção da Real Academia da Língua Espanhola, é um catálogo de noticias ou dados de um mesmo gênero, ordenado alfabeticamente. Em Berlim, o Haus der Kulturen der Welt está desenvolvendo o projeto “100 anos de agora”, sendo o “Dicionário do Agora” um dos projetos que “reflete na capacidade das palavras tanto de designar como criar realidade. Os termos selecionados no Dicionário organizam campos de conhecimento complexos. Dos tempos modernos foi passando de mão em mão na procura de verdades universais e de usos codificados. O Dicionário do Agora confronta essa afirmação de universalismo linguístico com posições contemporâneas específicas. Quais variações e mudanças de significado existem na raiz desses termos, que leituras e subtextos eles acolhem? Quais processos de transformação sociais, políticos e tecnológicos podem ser lidos neles?

EFICÁCIA / fazer as coisas certas, saber o que fazer; saber o que fazer e fazer de maneira excelente uma atividade.

EFICIÊNCIA / fazer as coisas de maneira certa; realizar uma atividade com o maior aproveitamento dos recursos nela envolvidos, como o tempo ou as pessoas.

Voy

Voy      a

Voy a construir

Voy a construir un

Voy a construir un gran

Voy a construir un gran piso.

Juan, Emilio y Odriozola, Supongo la mesa. Autoayuda para compartir, 2016.

EMPATIA / no dicionário de filosofia do Istituto Giovanni Treccani de Roma, a palavra empatia é relacionada com o termo alemão Einfühlung, também traduzido como “simpatia simbólica”. Descreve o seu uso em estética e psicologia para designar a capacidade de colocar-se na situação de outra pessoa, com pouco ou nenhum envolvimento emocional. Walter Benjamin, na sua reflexão Sobre o conceito de história, 1940, fala “Ora, os que num momento dado dominam são os herdeiros de todos os que venceram antes. A empatia com o vencedor beneficia sempre, portanto, esses dominadores.

ENERGIA / do grego έν, “dentro”, e εργον, “trabalho, obra”ː ou seja, “dentro do trabalho”. Em física é uma propriedade dos objetos que pode ser transferida a outros objetos ou convertidos à diferentes formas. Energia foi o nome dado ao foguete lançador desenvolvido pelos soviéticos entre os anos 1976-1988, em plena corrida espacial com os Estados Unidos.

HISTORIA / “Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.” Walter Benjamin, Sobre o conceito de história, 1940.

O HOMEM NOVO / Che Guevara descreve na sua carta El socialismo y el hombre en Cuba, 1965, o projeto de construção de uma nova sociedade socialista. Esse sistema baseado em um conceito de liberdade e plenitude da humanidade como grupo, seria feito com o sacrifício de todos para a criação do “homem do século XXI” e liderado pelo Partido, “os melhores entre os bons” : “Nós nos formaremos na ação cotidiana, criando um homem novo com uma nova técnica.

ILÓGICA /As pessoas realmente acreditam que, pela sutileza minuciosa da lógica, demonstraram a verdade e estabeleceram a exatidão de suas opiniões? A lógica comprimida pelos sentidos é uma doença orgânica. 

(…)

Precisamos de obras fortes, diretas, precisas e para sempre incompreendidas. A lógica é uma complicação. A lógica é sempre falsa. Ela puxa os fios das noções e palavras exteriormente formais para alvos e centros ilusórios.

(…)

O controle da moral e da lógica nos infligiram a impassibilidade diante dos agentes da polícia — causa da escravidão —, ratos pútridos com os quais os burgueses se empanturraram, e que infectaram os únicos corredores de vidro claros e limpos que restaram abertos aos artistas.

 Que cada homem grite: há um grande trabalho destrutivo, negativo, por realizar. Varrer, limpar. A limpeza do indivíduo se afirma após o estado de loucura, de loucura agressiva, completa, de um mundo deixado nas mãos de bandidos que demolem e destroem os séculos. Sem propósito nem plano, sem organização: a loucura indomável, a decomposição.

(…)

… abolição da lógica, dança dos incapazes de criação: DADÁ; de toda hierarquia e equação social estabelecidas pelos valores por nossos criados: DADÁ; cada objeto, todos os objetos, os sentimentos e as obscuridades, as aparições e o choque preciso de linhas paralelas, são meios para o combate: DADÁ; abolição da memória: DADÁ; abolição da arqueologia: DADÁ; abolição dos profetas: DADÁ; abolição do futuro: DADÁ…

(…)

Liberdade: DADÁ DADÁ DADÁ, alarido de dores crispadas, entrelaçamento dos contrários e de todas as contradições, dos grotescos, das inconsequências: A VIDA.” Tristan Tzara, Manifesto Dadá, 1918.

INTERFACE / “Joseph Beuys falou que todos tinham o direito de ver a si mesmos como artistas. O que dava para entender nesse momento como um direito tem se convertido hoje em uma obrigação. Por enquanto, estamos condenados a ser nossos próprios projetistas.” Boris Groys, The Obligation to Self-Design, e-flux 2008.

O problema não é a incapacidade da arte de se tornar verdadeiramente politica; o problema é que a esfera política contemporânea está já estetizada. (…) Hoje, se um artista consegue transpor o sistema da arte, começa a funcionar do mesmo jeito que funcionam os políticos, heróis esportivos, terroristas, estrelas do cinema e outras pequenas o grandes celebridades: através dos médios. Em outras palavras: o artista se transforma em uma obra. (…) Hoje, todo o mundo está sujeito à avaliação estética.” Boris Groys, Self-Design and Aesthetic Responsibility. Production of Sincerity, e-flux 2009.

Pode ser que a pergunta a fazer seja sobre a interface. Porque todos nos – norteamericanos, sírios refugiados, combatente do ISIS, o qualquer um – todos temos as mesmas respostas “luta ou fuge”, não é? E, em um espaço físico, se você me ameaça, eu tenho que lidar com você como um corpo físico. Mas se mudamos para o espaço onde estamos separados pelas telas, eu não tenho jamais que falar sobre as consequências matérias do conflito. Eu só tenho que ir direto à máxima represália. Eu posso ir direto até você: você é ruim, eu sou bom, vou te foder, estamos acabados. O filosofo francês René Girard fala muito sobre esse impulso aos extremos, e sua combinação em perceber a agressão como defensa, perceber a agressão à alguém e se definir: Eu não sou você.” Enter The Void. Roy Scranton and @Lilinternet On Hyperreality and Reflexive Narrative, Texte Zur Kunst, Março 2016.

LINHA DE PRODUÇÃO / em 1914 o empresário Henry Ford criou um sistema baseado numa linha de montagem, sistema de produção pensado para a fabricação em massa. Uma esteira rolante conduzia o produto e cada funcionário executava uma tarefa específica da produção, sem precisar se movimentar no local de trabalho. Se reduzia assim os tempos e também os custos da produção, possibilitando a fabricação em grande escala.

MÁQUINA / AUTÓMATA / “O romance Frankenstein, ou o moderno Prometeu(1817), de Mary Shelley,

é a primeira história em que matéria inerte é animada por meio de procedimentos e conhecimentos científicos, sendo considerada a primeira obra de ficção científica. Na experiência do trágico Dr. Frankenstein repousam quatro das principais questões sobre as relações entre homens e autômatos: a promessa de obtenção da força prometéica, o medo deque o conhecimento sobre a criação da vida seja proibido e leve o homem à ruína, o receio deque a criatura se volte contra seu criador e o temor de que a criatura se reproduza por conta própria. A obra de Mary Shelley é um marco também por apresentar claramente a revolução epistemológica de sua época: a substituição da magia pela ciência.” Fátima Regis, Os Autômatos da Ficção Científica: Reconfigurações do Imaginário Tecnológico e das Tecnologias da Informação e da Comunicação, 2006.

NADA / sobre o conceito de nada no livro Jean-Yves Jouannais, Artistas sin obra “I would prefer not to”, 2009:

– em Jean Rigaut: “a possibilidade de por mãos à obra sem ter que se por a trabalhar”; “toda criação é impossível: Faz tempo que procuro algo que fazer. Não há nada que fazer a respeito: não há nada que fazer.

– no texto de Émilien Carassus sobre o dândi: “rejeita a maldição que Deus fez cair sobre a progenitura de Adão: ganhar o pão com o suor do seu rosto.

– em Borges “não acrescentar mais nada.

PUNK / “Em 1976 até 1978 em Londres e Nova York surgiu como uma explosão o Punk: vários grupos de música agrupados ao redor de fanzines, lojas de moda o locais que mostravam uma oposição frente aos convencionalismos da indústria musical, da moda e do panorama sócio-politico, fazendo seu leiv motiv a negação, o barulho, a irresponsabilidade e a rapidez. O Punk surgiu como a reação a crise do sonho hippie (um espelho da crise da própria modernidade); enrolado na aparição do terror e do terrorismo como ação politica; ameaçado pela crise económica ligada à gestão da escassez (o petróleo) que acarreava o fim do sonho no progresso e uma geração destinada ao desemprego; todo isso adereçado com o retorno ao conservadorismo politico anunciado na aparição do tacherismo e Reagan. O Punk mostrava um descontento raivoso frente a uma situação sem futuro…” da apresentação da mostra “PUNK. Sus rastros en el arte contemporáneo” curada por David G. Torres no CA2M de Madri, março- outubro 2015.

 SILENCIO / na sua ausência: “Luigi Nono compus uma “instalação sonora para trabalhadores” para uma seção de uma fábrica de autos. Ele usou os “sons do mundo do trabalho” e também trechos de musicas marciais de trabalhadores. No primeiro momento a audiência, aqueles que estavam envolvidos na prática no processo de produção, o seguiram com entusiasmo. O tempo dedicado à musica foi tirado dos descansos, eles não foram pouco generosos. Alguns deles disseram depois ter preferido tomar lições de piano. Outros falaram que estariam prontos para entrar em uma banda. Eles também teriam estado interessados nas “transformações revolucionarias naquele lugar. (…) Segundo Luigi Nono a musica é a rede capaz da concentração nessa fraca e pontilista força”. Alexander Kluge, News from Ideological Antiquity. Marx – Eisenstein – Capital, Biennale di Venezia, 2015*.

TRABALHADOR / Richard Sennett retoma no seu livro O artesão, 2008, a diferença feita pela sua maestra Hannah Arendt, do Animal laborans, que está alienado pela atividade mecânica, e do Homo faber, com uma função prática não material mas puramente intelectual ou científica. O autor propõe então um processo produtivo além, que some pensamento e sentimento, como modelo de uma nova estrutura de relações em comunidade.

proletários secretamente enamorados do inútil (…) Quem são eles? Algumas dezenas, algumas centenas de proletários que tinham 20 anos nos anos 1830 e que tinham decidido, nesse mesmo tempo, cada um por conta própria, não suportar mais o insuportável: não exatamente a miséria, os baixos salários, as hospedagens nada confortáveis ou a fome sempre por perto, mas fundamentalmente a dor do tempo roubado cada dia para trabalhar a madeira ou o ferro, para costurar trajes ou cravar sapatos, sem outra finalidade que conservar indefinidamente as forças da servidão junto com as da dominação; o humilhante absurdo de ter que esmolar, dia após dia, esse trabalho onde a vida se perde; também, o peso dos outros, aqueles que trabalham no atelier com sua arrogância do Hércules de cabaré ou sua obsequiosidade de trabalhadores conscienciosos, os que ficam por fora, esperando uma vaga que seria cedida gostosamente, os que, enfim, passeiam em carruagem e dão uma olhada de desdém sobre a humanidade murcha. Terminar com isso, saber porque ainda não se termina, mudar a vida… A subversão do mundo começa nessa hora na qual os trabalhadores normais teriam que aproveitar do sono aprazível de aqueles cujo ofício não obriga pensar; por exemplo, essa noite de outubro de 1839: às 8h mais exatamente, poderiam se encontrar na casa do alfaiate Martin Rose para fundar um jornal de obreiro.”

Jacques Rancière, A noite dos proletários, 1981.

TRABALHO / “O Programa de Gotha já continha elementos dessa confusão. Nele, o trabalho é definido como “a fonte de toda riqueza e de toda civilização”. Pressentindo o pior, Marx replicou que o homem que não possui outra propriedade que a sua força de trabalho está condenado a ser “o escravo de outros homens, que se tornaram… proprietários”. Apesar disso, a confusão continuou a propagar-se, e pouco depois Josef Dietzgen anunciava: “O trabalho é o Redentor dos tempos modernos… No aperfeiçoamento… do trabalho reside a riqueza, que agora pode realizar o que não foi realizado por nenhum salvador”. Esse conceito de trabalho, típico do marxismo vulgar, não examina a questão de como seus produtos podem beneficiar trabalhadores que deles não dispõem. Seu interesse se dirige apenas aos progressos na dominação da natureza, e não aos retrocessos na organização da sociedade. Já estão visíveis, nessa concepção, os traços tecnocráticos que mais tarde vão aflorar no fascismo. Entre eles, figura uma concepção da natureza que contrasta sinistramente com as utopias socialistas anteriores a março de 1848. O trabalho, como agora compreendido, visa uma exploração da natureza, comparada, com ingênua complacência, à exploração do pro-letariado. Ao lado dessa concepção positivista, as fantasias de um Fourier, tão ridicularizadas, revelam-se surpreendentemente razoáveis. Segundo Fourier, o trabalho social bem organizado teria entre seus efeitos que quatro luas iluminariam a noite, que o gelo se retiraria dos pólos, que a água marinha deixaria de ser salgada e que os animais predatórios entrariam a serviço do homem. Essas fantasias ilustram um tipo de trabalho que, longe de explorar a natureza, libera as criações que dormem, como virtualidades, em seu ventre. Ao conceito corrompido de trabalho corresponde o conceito complementar de uma natureza, que segundo Dietzgen, `está ali, grátis´.” Walter Benjamin, Sobre o conceito de história, 1940.

VAZIO / Jouannais também nos conta essa historia: em 1953 Rauschenberg propõe à Willem de Kooning que lhe deixe um desenho para poder apagá-lo. Ele lhe entregou o melhor dos que tinha. Na atitude dos dois: “se revela paradoxalmente o summum do fetichismo do objeto y da forma, y dado que, por ultimo, tem escolhido o vazio por objeto sem que essa opção seja paradigmática da obra nem represente uma eleição exclusiva por parte do artista.