EMMATHOMASTECA / Arquivo aberto da Senhora Thomas

Proyectos Curatoriales / Curatorial Projects
10/2013 / Galeria Emma Thomas / São Paulo, Brasil.

Emmathomasteca é um exercício de pensamento realizado em colaboração entre os artistas David Nahon (AR), Fabiano Gonper (BR), Felipe Ehrenberg (MX), Fernanda Brenner (BR), Lucas Simões (BR), Nazareno (BR), Omar Barquet (MX) e Theo Firmo (BR) a proposta da historiadora da arte Marta Ramos-Yzquierdo, tendo o intuito de na primeira instancia refletir através da figura da galerista Emma Thomas sobre a atração exercida pelos relacionamentos de poder em nossa sociedade.

Emma Thomas apareceu na cena artística paulistana em 2006, com a inauguração de um pequeno espaço numa vila da Rua Augusta. Já no começo destacou-se como uma aposta diferente no panorama de galerias da cidade, e depois de sete anos está consolidada e estabelecida como uma proposta diferenciada pelo trabalho em colaboração aberta com artistas nacionais, uma apresentação que convida a pensar a obra além do cubo branco e um espirito descontraído e cordial. Essa características fazem que a senhora Thomas seja procurada por artistas, colecionadores, curadores e interessados em falar diretamente com quem da nome ao projeto. Nesses anos são numerosas as ocasiões em que são recebidas ligações perguntando pela senhora Thomas, pessoas entram na galeria querendo falar exclusivamente com ela ou se apresentam como amigos íntimos da Emma. Mas, quem é Emma Thomas?

Depois dos últimos meses de reuniões, conversas e mails intercambiando ideias e textos – desde Baudrillard e “Cultura e simulacro” 1978, Anna Maria Guasch com o analise sobre os arquivos contemporâneos (“Arte y archivo 1920-2010”), o irónico “Manual de estilo para el arte contemporáneo” do artista mexicano Pablo Helguera ou os romances “Josep Maria Campalans” de Max Aub e “La invención de Morel” de Adolfo Bioy Casares – propostas de diferentes linhas de aproximação à figura da senhora Thomas tem surgido. Também tem definido a apresentação delas como um arquivo aberto ao público para sua pesquisa, no fundo da galeria trás uma porta até agora não percebida.

A eleição de esse formato foi feita segundo a definição de arquivo de Derrida como “o principio de agrupamento” que “como tal exige unificar, identificar, classificar” pois “nasce com o propósito de coordenar um corpus dentro de um sistema”*. Emmathomasteca (o nome Emma Thomas mais o sufixo grego –teca, que indica lugar aonde guardam-se coisas) não é um arquivo clássico formado por documentos mas por obras, já que são artistas e não historiadores os que tem participado na sua formação.

Alguns deles tem trabalhado na sua relação pessoal com a galerista, como Felipe Ehrenberg que mostra um políptico de caixas nas quais dentro estão partes de sua correspondência com Emma, mas só as frases que ele escreveu já que ela não teria autorizado a publicação de suas respostas; Lucas Simões que soma ao arquivo uma serie de esculturas que nos aproximam aos territórios físicos da Emma, e David Nahon, através de seu perfil psicológico.

Focados na faceta mais profissional, Fabiano Gonper continua seu analise sobre os modos de comportamento e gestos no mundo da arte, resgatando fotos e desenhos nos que poderia descobrir-se a Thomas galerista. Na mesma linha, Nazareno tem realizado uma pesquisa do Curriculum e cargos dela, e Theo Firmo, o mais jovem dos participantes, coloca a disposição no arquivo três cartas dirigidas a galerista, que planteiam a impossibilidade do diálogo com a figura do poder.

A visão mais sensorial do personagem é dada nas obras de Omar Barquet, que tem efeituado um estudo de objetos e discos encontrados da Emma, e a Fernanda Brenner, que realiza um exercício de escalas de cor que resumem a pessoalidade da galerista.
Assim, os visitantes ao arquivo terão a oportunidade de conhecer mais sobre quem é a Emma Thomas. Cada uma das “obras – vestígios” são parte de uma biografia que como um caleidoscópio flutuam entre o velado e o desvelado, entre o percebido e o supostamente objetivo. Ao mesmo tempo, seu analise expõe questões sobre a capacidade de conhecimento tanto das pessoas quanto das estruturas sociais, nos exemplos da Emma e do mercado da arte, em um jogo de releituras cruzadas das propostas de Walter Benjamin, Derrida e Baudrillard. Desse jeito, a ficção da Emmathomasteca cria um espaço para a reflexão por um lado das impossibilidades do analise e formação da identidade pessoal e pelo outro das possíveis estratégias e simulacros de nosso modelo social.